Sociedade

INATRO admite falhas de comunicação no sistema e justifica atraso na emissão de cartas de condução

A produção de cartas de condução em Moçambique continua a enfrentar sérios constrangimentos devido a falhas crónicas na comunicação entre o sistema de captação de dados e a fábrica de produção. A revelação foi feita por Cláudio Zunguze, administrador e porta-voz do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), ao deputado Ivandro Massingue, da bancada parlamentar do partido PODEMOS, durante uma fiscalização às instalações da instituição.

Apesar de a instituição garantir que possui capacidade técnica instalada para cobrir com folga a procura nacional, a falta de sincronização informática tem feito com que milhares de cidadãos aguardem meses pelo documento definitivo.

De acordo com os dados apresentados pela administração do INATRO, o centro de produção opera actualmente com duas máquinas que possuem uma capacidade individual de impressão de 750 cartas por dia, totalizando um potencial de 1.500 cartas diárias na sua operação plena.

Este volume é substancialmente superior à média de captação nacional, que ronda as 500 solicitações diárias. “Olhando para aquilo que é a captação diária em todo o país (…) quer dizer que estamos a assumir que há capacidade para produção da carta”, explicou Cláudio Zunguze, justificando que o verdadeiro “gargalo” reside na interoperabilidade das plataformas digitais.

O grande entrave identificado reside no facto de o sistema que capta as fotos e os dados biométricos dos utentes nas delegações ser totalmente independente do sistema que efectivamente imprime o documento na fábrica. Esta falta de integração directa gera inconsistências graves no fluxo de informação.

“Há situações em que temos, de facto, em que um utente espera por mais de três meses (…) a fábrica não vai fazer a produção da carta de condução quando na base de dados do centro de produção não está lá a fotografia”, sublinhou o porta-voz do INATRO, apontando ainda problemas recorrentes na actualização de apelidos e emendas de dados.

A acareação surge no âmbito das visitas de fiscalização que os deputados da Assembleia da República, pela Bancada do PODEMOS, têm estado a realizar às  instituições públicas, após denúncias e reclamações públicas.

Durante o diálogo, o deputado Ivandro Massingue confrontou a direcção da instituição sobre a morosidade e o forte impacto que a falta do documento definitivo tem na vida dos moçambicanos. O parlamentar destacou o drama dos cidadãos que necessitam da carta profissional como ferramenta de trabalho para garantir o sustento doméstico num contexto de escassez de emprego, e que se veem impedidos de exercer a actividade devido aos atrasos na secretaria.

Para além dos problemas informáticos, o INATRO debate-se com o fenómeno de milhares de cartas já impressas que se encontram abandonadas nos guichês das delegações provinciais.

Como medida de mitigação, a instituição lançou a plataforma digital “Carta Pronta”. Esta ferramenta permite que os utentes consultem o estado do seu processo e verifiquem se o documento físico já está disponível para levantamento na respectiva delegação antes de se deslocarem às instalações, evitando filas desnecessárias e agilizando a entrega dos documentos acumulados.

Imagem: DR

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