Moçambique vai produzir mais sementes locais para travar importações até 2029

O Governo moçambicano quer cortar a dependência externa e garantir que os camponeses tenham acesso a insumos de qualidade. O anúncio foi feito pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante a Reunião Nacional de Sementes, que decorreu em Maputo sob o lema “Semente de qualidade, garante do aumento da produção e produtividade”.
A estratégia surge numa altura em que o país tenta recuperar dos impactos climáticos. Segundo o governante, durante a resposta às recentes cheias que fustigaram várias regiões, cerca de 80% das sementes distribuídas aos produtores tiveram de ser importadas. Para inverter este cenário, o Executivo garantiu fundos para apoiar as campanhas agrárias até 2029, assegurando um mercado estável para o sector privado nacional.
Uma das grandes novidades para o sector é a introdução do sistema nacional de rastreabilidade e certificação de sementes, desenvolvido com o apoio da AGRA.
O sistema entra em funcionamento até Setembro deste ano e promete apertar o cerco à venda de sementes falsificadas, trazendo maior transparência ao mercado moçambicano.
Além da tecnologia, o sector agro-pecuário aguarda pela aprovação da nova Lei de Sementes, que pretende organizar a cadeia de valor e atrair mais investimentos.
Apesar do optimismo e do potencial agrícola de Moçambique, os parceiros internacionais apontam que ainda há um longo caminho a percorrer. Litos Raimundo, representante da AGRA, defende que, com base na avaliação SeedSAT, o país precisa de um reforço urgente na investigação científica, na rede de distribuição e na coordenação legal.
Por sua vez, a representante da FAO em Moçambique, Cláudia Pereira, sublinha que o acesso à semente local de qualidade é a verdadeira chave para os agricultores resistirem às alterações climáticas e garantirem a segurança alimentar no seio das comunidades.
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