Sociedade

Chapo defende união entre países africanos no combate ao terrorismo

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu nesta sábado (24), na Etiópia, o reforço da união entre os países africanos e das organizações regionais e continentais no combate ao terrorismo, considerando que a segurança é uma condição indispensável para o desenvolvimento.

O Chefe do Estado moçambicano falava durante o 12.º Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança em África, num painel subordinado ao tema “Das Margens para o Centro: Construindo um Modelo Africano para a Paz e Soberania numa Era de Rivalidade Geopolítica”,

Daniel Chapo apontou a experiência de Moçambique, particularmente em Cabo Delgado, onde a descoberta de reservas de gás foi seguida pelo surgimento do terrorismo, considerando necessária uma maior cooperação africana para proteger os recursos estratégicos.

“Portanto, é coincidência demais que onde há descoberta de recursos, também apareceu o terrorismo. E, como dizia aqui uma colega, o segredo é nós nos unirmos para defendermos os nossos recursos”, afirmou.

O Presidente da República defendeu igualmente a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de modo a garantir uma representação permanente de África e o direito de veto.

Segundo explicou, a ausência do continente naquele órgão dificulta a sua participação nas decisões sobre questões de segurança mundial.

“Porque, enquanto continuarmos a falar de segurança em África ao nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem um membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, vai ser muito difícil resolver a questão da segurança do continente africano”.

Na sua intervenção, o Chefe do Estado chamou ainda a atenção para os efeitos da competição internacional pelos minerais críticos e estratégicos, bem como pelo gás e petróleo africanos, num contexto marcado pela transição energética e pela crescente rivalidade geopolítica.

Daniel Chapo considerou que a preservação da paz e da segurança constitui uma condição indispensável para o desenvolvimento dos países africanos, defendendo, por isso, o fortalecimento do multilateralismo e a valorização das organizações regionais e continentais, incluindo a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a Comunidade Económica dos estados da África Central (CEEAC) e a União Africana.

Respondendo a uma pergunta complementar sobre a cooperação regional no combate aos conflitos relacionados com recursos, o Presidente da República apontou a experiência da Missão da SADC em Moçambique (SAMIM), a cooperação bilateral com o Ruanda e a presença de forças tanzanianas ao longo da fronteira entre os dois países como exemplos de mecanismos de resposta ao terrorismo.

“A nossa experiência e um dos segredos de sucesso para combater o terrorismo em África é a união entre os países africanos, uma união regional da SADC: problemas africanos, soluções africanas, neste caso, uma solução bilateral entre Moçambique e Ruanda”.

O Chefe do Estado referiu ainda a contribuição da Força Local no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, salientando que, apesar da libertação das vilas anteriormente ocupadas, persistem ataques esporádicos que provocam deslocações da população.

Segundo o Presidente Chapo, o principal desafio neste momento é assegurar assistência humanitária às comunidades afectadas, enquanto as forças moçambicanas, em coordenação com as forças amigas do Ruanda, da Tanzânia e a Força Local, continuam a combater os grupos terroristas.

O Painel de Alto Nível contou igualmente com a participação do Presidente da República do Gana e Presidente do Conselho do Fórum de Tana, do Vice-Presidente da República do Quénia e do antigo Primeiro-Ministro do Burkina Faso.

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