Sociedade

Ministra da educação diz que professores gerem mal o salário, por isso “vivem apertados”

A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, considera que o endividamento excessivo dos professores contribui para agravar as dificuldades financeiras da classe docente, defendendo que a formação dos profissionais da educação deve incluir competências de gestão financeira.

Falando à margem do segundo Conselho Coordenador do sector, que decorreu nesta quarta-feira, na Ponta do Ouro, Samaria Tovela, defendeu que as dificuldades financeiras dos professores resultam do elevado nível de endividamento e a necessidade de uma melhor gestão dos rendimentos como factores que agravam a situação.

“O que nós nos apercebemos são as dívidas. Os professores têm dívidas aqui, dívidas ali. Pedem emprestado aqui e ali. A questão é que, quando se tem um orçamento, é preciso saber organizar-se dentro desse orçamento e não criar dívidas que não se conseguem pagar. Temos professores que, hoje, quando recebem salário só sobram com 200 meticais, porque estão a pagar dívidas. Com 200 meticais, uma pessoa vai fazer o quê? Então, essa é outra componente”, declarou Samaria Tovela, citada numa publicação do Jornal “O País”.

Apesar de reconhecer o elevado custo de vida e os baixos salários, a governante defende acompanhamento para uma melhor gestão dos rendimentos.

A ministra entende ainda que a análise da situação dos professores não deve limitar-se à componente académica e profissional, devendo abranger também a capacidade de gerir os recursos financeiros disponíveis. Na sua perspectiva, a preparação dos docentes deve incluir conhecimentos que lhes permitam administrar melhor os seus rendimentos e evitar compromissos financeiros incompatíveis com a sua capacidade de pagamento.

“Há necessidade de sabermos gerir os nossos recursos, mas também temos de aprender. Isso significa que os Institutos de Formação de Professores, para além de ensinarem a componente pedagógica, têm de ensinar a questão da gestão financeira. É fundamental. A gestão financeira é fundamental, porque existe também uma situação crítica de endividamento entre os professores”, afirmou.

Tovela reconheceu, entretanto, que o aumento salarial não eliminou as dificuldades económicas dos professores e que os rendimentos da classe continuam aquém do desejado. A governante sublinhou que o elevado custo de vida afecta os moçambicanos em geral, mas considerou importante reconhecer a diferença entre a tabela salarial actual e a anterior.

“O nível de vida está alto para todos nós, para todos os moçambicanos. Mas houve um incremento salarial. Não é o que gostaríamos de receber, enquanto classe docente, tal como qualquer outra classe também gostaria de receber muito mais. Contudo, comparativamente à tabela antiga, estamos a receber um pouco mais”, declarou.

A ministra defendeu ainda que a discussão sobre as condições dos professores deve considerar os recursos que o Estado investe no sector, para além dos salários, incluindo carteiras, livros e outros meios necessários ao funcionamento das escolas. Na sua perspectiva, o investimento público deve traduzir-se em resultados concretos na aprendizagem dos alunos.

“Quando olhamos para os custos escolares, não estamos a falar apenas dos salários. Estamos também a falar das carteiras e dos livros em que investimos. Depois, não estamos a conseguir obter os resultados esperados. É essa abordagem que todos temos de considerar, porque não podemos desperdiçar os poucos recursos de que o Estado dispõe. Temos de trabalhar mais e produzir mais, para que as crianças possam ter condições dignas”, afirmou.

 

(Foto DR)

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