Auditoria aponta irregularidades na contratação da FMA para reestruturação da LAM

Antigos governantes do consulado de Filipe Nyusi são apontados entre os responsáveis pelo processo, que terá envolvido pagamentos indevidos superiores a 81 milhões de meticais
A contratação da empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA) para apoiar a reestruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) foi marcada por alegadas irregularidades, incumprimento de procedimentos legais e pagamentos considerados indevidos, segundo um relatório preliminar do Tribunal Administrativo (TA).
De acordo com o jornal Savana, que publica os resultados da auditoria, o processo de contratação da FMA, em 2023, não terá observado todos os requisitos legais, incluindo a realização de estudos de viabilidade e a avaliação económica e financeira necessárias para fundamentar a decisão.
O relatório aponta responsabilidades a antigos dirigentes governamentais e gestores públicos, entre os quais Mateus Magala, antigo ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alissone, antigo ministro da Economia e Finanças, e Ernesto Max Tonela, que também ocupou a pasta da Economia e Finanças. São igualmente mencionados antigos responsáveis do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) e da LAM.
Segundo a auditoria, a contratação foi conduzida num contexto em que a companhia aérea enfrentava dificuldades financeiras, agravadas pela pandemia da Covid-19, por desastres naturais e por ataques terroristas em Cabo Delgado. Contudo, o TA considera que a situação económica da empresa não justificava o afastamento dos procedimentos exigidos para a contratação.
O documento refere ainda que a proposta de contratação da FMA avançou sem que tivesse sido devidamente documentada a avaliação das alternativas disponíveis, levantando dúvidas sobre a transparência, a legalidade e a fundamentação da escolha da consultora sul-africana.
No capítulo financeiro, o Tribunal Administrativo identificou pagamentos no valor de 81.433.356,01 meticais à FMA, associados ao incumprimento da cláusula remuneratória do contrato. O relatório refere igualmente outros pagamentos, no montante de 2.332.190,00 meticais, relativos a despesas de terceiros incluídas no processo.
A auditoria questiona a legitimidade de parte dos valores desembolsados, defendendo a necessidade de apurar as responsabilidades dos intervenientes e de avaliar a eventual reposição dos montantes considerados indevidos.
O TA recomenda a instauração de procedimentos de apuramento de responsabilidade contratual, disciplinar e financeira contra os responsáveis, bem como a adopção de medidas para recuperar os valores pagos sem fundamento legal.
O relatório sublinha que a gestão de empresas públicas deve respeitar os princípios da legalidade, transparência, boa-fé e prossecução do interesse público, mesmo em situações de emergência financeira.
As conclusões apresentadas são de carácter preliminar e apontam para a necessidade de aprofundar a investigação sobre o processo de contratação e a execução do contrato celebrado entre a LAM, o IGEPE e a Fly Modern Ark.
Imagem: DR
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