Moçambique: Mais de 81 mil milhões investidos na educação, mas milhares de alunos estudam ao ar livre

A educação continua a ser um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação. Em Moçambique, o ano de 2024 ficou marcado por um investimento financeiro expressivo no sector, ultrapassando os 81 mil milhões de meticais aplicados em infra-estruturas e melhorias materiais. Contudo, o abismo entre os números oficiais e a realidade vivida por milhares de alunos e professores no terreno permanece alarmante.
De acordo com os dados do Ministério da Economia e Finanças relativos a 2024 citado na investigação da TV Sucesso, foram executados cerca de 81,8 mil milhões de meticais, uma cifra próxima dos 98 mil milhões inicialmente previstos. Este orçamento permitiu alcançar avanços concretos que beneficiaram o sistema de ensino, destacando-se a construção de 397 novas salas de aula do ensino primário, a edificação de 13 escolas secundárias e a distribuição de mais de 38 mil carteiras escolares.
Apesar do esforço financeiro do Estado, a expansão da rede escolar debate-se com contratempos severos, impulsionados sobretudo por fenómenos climáticos extremos. Entre 2024 e 2025, a passagem de ciclones, com destaque para os temporais Chido, Dikeledi e Jude, afectou mais de 1.500 escolas, destruindo infra-estruturas e forçando o recurso a salas de aula improvisadas de chapas de zinco para evitar a interrupção do ano lectivo.
O levantamento estatístico do sector para 2025 escancara a gravidade da carência estrutural, identificando um défice de cerca de 35 mil salas de aula e revelando que mais de 10 mil turmas continuam a funcionar debaixo de árvores e ao ar livre. Além disso, cerca de 37% das salas de aula existentes foram consideradas precárias.
A pressão sobre o sistema educativo agrava-se ano após ano devido ao rápido crescimento da população escolar. O número de alunos matriculados tem subido de forma constante, passando de cerca de 9,9 milhões em 2024 para 10 milhões em 2025, com uma previsão de alcançar aproximadamente 11 milhões de alunos.
O contraste entre os montantes avultados investidos e as imagens de crianças sentadas no chão, a partilhar cadernos e a enfrentar intempéries revela que o maior desafio do sector educativo moçambicano já não é apenas contabilizar fundos, mas sim garantir que cada metical se transforme efectivamente em condições dignas de aprendizagem para todos.
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