Sociedade

Festival Maputo em Cena apresenta este sábado o audiobook “Nada Será Devolvido em Silêncio”, de Énia Lipanga

O Museu da Mafalala recebe, este sábado (15), às 17h00, a apresentação do audiobook “Nada Será Devolvido em Silêncio”, de Énia Lipanga, no âmbito da programação da segunda edição do Festival Maputo em Cena. A sessão, de entrada gratuita, propõe uma experiência que cruza poesia performática, movimento e sonorização.

“Nada Será Devolvido em Silêncio” nasce de um longo poema e percorre memórias, silêncios e resistências herdadas de gerações de mulheres, transformando a dor em voz e a memória em reparação. A obra aborda temas ligados à ancestralidade, sobrevivência e liberdade, através de uma linguagem poética que procura dar expressão a experiências e memórias femininas.

A apresentação foi concebida para ampliar a experiência de escuta através da articulação entre palavra, corpo e som. A poesia performática de Énia Lipanga será acompanhada por instrumentação e vocalização ao vivo, criando uma experiência imersiva em torno da obra.

A sessão conta com direcção de movimento de Phati, instrumentação e vocalização de Beauty e Sumalgy Nuro, vocalização de apoio de Bela Zango e André Bahule, e uma participação vocal in memoriam de Avó Raquel.

A apresentação tem a duração de 40 minutos e integra a programação do Festival Maputo em Cena, que decorre até 22 de Agosto, reunindo diferentes propostas das artes cénicas e performativas em vários espaços culturais da cidade de Maputo.

Énia Lipanga: poesia, intervenção social e promoção da cultura

Énia Lipanga é poetisa, rapper, activista social, repórter e agitadora cultural moçambicana, com um percurso marcado pela utilização da arte como instrumento de intervenção social, defesa dos direitos das mulheres e promoção da inclusão.

Nascida em Maputo, iniciou o seu percurso profissional aos 16 anos, tendo passado por meios de comunicação como a rádio Super FM, o portal Folha de Maputo, a Irex e o Mídia Lab, além de ter colaborado com a Televisão Gungu.

A sua ligação à poesia começou ainda na adolescência e consolidou-se através de iniciativas de promoção da literatura e da palavra. É mentora do sarau “Palavras São Palavras”, projecto que une poesia e outras expressões artísticas e promove novos talentos, e fundadora do Moz Slam, uma das principais iniciativas de slam poetry em Moçambique. Em 2018, participou no Festival Mundial de Slam Poetry, em Maputo, e representou Moçambique na V Edição do Encontro de Poetas de Língua Portuguesa.

Em 2020, lançou “Sonolência e Alguns Rabiscos”, obra considerada o primeiro livro de poesia publicado em tinta e braille em Moçambique, abordando questões relacionadas com o amor, género e inclusão. Seguiram-se “Para Enxugar as Nódoas dos Meus Olhos”, em 2021, e “Ensaios da Partida”, em 2023, consolidando a sua presença na poesia moçambicana contemporânea.

O seu trabalho artístico tem igualmente uma forte dimensão social. Lipanga integra projectos e iniciativas voltadas para os direitos das mulheres e a inclusão de pessoas com deficiência, tendo também participado em encontros e festivais literários dentro e fora de Moçambique. Em 2022, participou no evento “Vozes Africanas na Poesia”, na Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil.

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