Liderança da FRELIMO confrontada com pedidos de reestruturação profunda

A cidade de Chimoio, na província de Manica, acolhe a XI Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, um fórum estratégico convocado para definir orientações políticas e organizacionais que influenciarão a governação e o futuro do partido. O encontro antecede a reunião do Comité Central, que aprovará o roteiro para as eleições internas, incluindo a directiva eleitoral.
Nos bastidores do evento, ganha força uma proposta para abandonar a actual fórmula de 60% de continuidade e 40% de renovação, adoptando um modelo de 50% de renovação e 50% de continuidade. Esta exigência é defendida por militantes que sustentam ser urgente abrir espaço para novos quadros sem perder a experiência dos históricos. Fontes ouvidas pelo jornal Evidências indicam que o processo de eleições internas começará pelas bases — células, círculos, zonas e localidades — culminando no Congresso.
O debate interno expõe um crescente descontentamento com a permanência prolongada de dirigentes nos órgãos do partido e do Estado. A presença de deputados com mandatos consecutivos, membros do Comité Central inamovíveis há décadas e laços familiares em círculos de poder é apontada como alvo de críticas. No entanto, analistas citados pelo mesmo jornal apontam que a concretização de mudanças dependerá do alinhamento com a comissão política, sendo o Congresso o espaço determinante para consolidar consensos em torno da transição geracional e eventuais reflexos na governação liderada por Daniel Chapo.
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