Governo nega exclusão de Cabo Delgado e justifica formação de jovens na Matola com exigências técnicas do GNL

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) reage às recentes críticas da sociedade civil e empresários locais, assegurando que Cabo Delgado continua no centro do Programa Nacional de Formação Mozambique LNG.
O Ministério da Educação e Cultura (MEC) veio a público prestar esclarecimentos após fortes contestações da sociedade civil e de setores empresariais de Cabo Delgado, provocadas pela escolha do Instituto Industrial e Comercial da Matola (província de Maputo) para acolher o arranque do programa que vai capacitar 260 jovens moçambicanos.
Em comunicado, o MEC esclareceu que a opção pela Matola resulta estritamente de uma avaliação técnica que atestou a existência de infra-estruturas, oficinas, laboratórios e alojamentos imediatamente aptos para cumprir os elevados padrões exigidos pela indústria do Gás Natural Liquefeito (GNL), sem comprometer o calendário do projeto.
“Esta solução permite cumprir o calendário de implementação do Projecto Mozambique LNG, optimizando os recursos já existentes e evitando atrasos que poderiam conduzir à necessidade de recorrer à realização desta formação fora do País”, pontua a nota do ministério.
O Governo rejeitou categoricamente a alegação de que a parceria representa um desvio de atenção ou uma marginalização das infra-estruturas de ensino técnico de Cabo Delgado. A tutela sublinhou que a província dispõe actualmente de 14 instituições de ensino técnico-profissional e que continuam em curso investimentos estruturantes.
Entre os principais projectos em andamento no norte do País destaca-se a construção e apetrechamento do Instituto Industrial e Comercial Filipe Jacinto Nyusi, localizado em Namaua. Paralelamente, decorre a reabilitação do Instituto Industrial de Pemba e do respectivo Hotel-Escola, além da implementação do Laboratório de Processamento de Gás, Automação, Instrumentação e Electricidade Industrial na capital provincial.
O Programa Nacional de Formação Mozambique LNG, financiado pela TotalEnergies num montante superior a 191,5 milhões de meticais, abrange formandos licenciados nas áreas de Mecânica, Electricidade, Instrumentação e Controlo e Operações de Processo.
O ministério frisou que os 260 candidatos serão seleccionados em todas as províncias do País, incluindo jovens provenientes de Cabo Delgado. O modelo curricular contempla um ano de formação teórico-prática na Matola, seguido de sensivelmente dois anos de estágio prático nas instalações da petrolífera em Afungi, no distrito de Palma.
Até ao momento, mais de 1.700 jovens moçambicanos já beneficiaram de acções de formação no âmbito dos programas ligados ao projecto, com especial incidência em capacitações realizadas no IFPELAC e no Instituto Industrial e Comercial de Pemba.




