Sociedade

Moçambique gasta 700 milhões de dólares por ano na importação de cereais

Moçambique continua fortemente dependente da importação de cereais para garantir o abastecimento alimentar. O País gasta anualmente cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos na compra de arroz, trigo e milho, num contexto marcado por um défice de produção de cerca de 600 mil toneladas de arroz e 700 mil toneladas de trigo.

Apesar do elevado potencial agrícola, a produção nacional continua insuficiente para responder às necessidades da população. O director-geral do Instituto de Cereais, Job Fazenda, reconhece que Moçambique importa praticamente todo o trigo consumido no País e uma parte significativa do arroz.

“Temos importado cerca de 600 toneladas de arroz. Moçambique não produz trigo para produzir várias, na área panificadora como também massas, mas há um esforço para aumentar a questão da produção porque nós temos que reduzir a factura da importação”, explicou.

Segundo o responsável, o Governo está a desenvolver iniciativas para reduzir a dependência do exterior, apostando no aumento da produção nacional, sobretudo de arroz. Entre as medidas em curso está o reforço da colaboração com produtores do Vale do Zambeze, uma das principais regiões agrícolas do País.

Citado pela RFI, Job Fazenda refere ainda que a prioridade será sempre a aquisição da produção nacional antes de recorrer às importações. No entanto, admite que este ano a produção da empresa chinesa Wambao, na província de Gaza, foi afectada pelas cheias que atingiram o sul do País, reduzindo a disponibilidade de arroz produzido localmente.

“Já estamos a estabelecer contactos com alguns produtores nacionais principalmente ao nível do Vale do Zambeze para incrementar a sua produção de arroz. A Wambao – empresa chinesa que produz arroz na província de Gaza- infelizmente teve pouca sorte este ano por conta das cheias que aconteceram na zona sul, em Gaza mas numa situação normal, nós vamos comprar primeiro o arroz nacional depois vamos importar aquilo que nao tivermos disponibilidade”, referiu

O objectivo, sublinha o Instituto de Cereais, “é diminuir progressivamente a factura das importações e reforçar a segurança alimentar através do aumento da produção interna”.

 

(Foto DR)

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