Lula lança um aviso a Trump: “Não quero briga, mas ninguém vai meter o bedelho nas eleições do Brasil”

O presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou esta quarta-feira acções recentes dos Estados Unidos e da Argentina, sublinhando que “ninguém vai meter o bedelho nas eleições” gerais de Outubro no Brasil.
Segundo uma publicação da CNN Portugal, a declaração ocorreu durante discurso na cerimónia em Brasília do partido PSB, que oficializou o nome do actual vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, como candidato a vice com Lula nas eleições gerais de Outubro.
Lula endereçou críticas diretas aos seus homólogos dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. “Enquanto eu for presidente, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, declarou.
Ao citar Trump, Lula disse que não quer fazer guerra armada com o político norte-americano, e que deseja vencê-lo na “guerra de narrativas”.
“[Trump] diz que tem o maior avião do mundo, a maior bomba atómica do mundo, o maior Exército do mundo. Eu quero brigar com ele?”, questionou.
“Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa: quem está falando a verdade ou quem está falando a mentira”, completou.
Ao mesmo tempo, Lula mencionou a decisão do Governo brasileiro de negar o visto de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano na semana passada, que alegadamente queriam vir ao Brasil para questionar o sistema eleitoral.
“Tivemos que negar o visto para dois jovens que eles mandaram para se intrometer nas eleições brasileiras. Nós negamos o visto”, realçou.
As autoridades brasileiras negaram vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob a alegação de que a visita ao Brasil poderia ser utilizada para levantar suspeitas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
O Departamento de Estado norte-americano negou as acusações, considerando que se tratava de uma visita de rotina.
A Casa Branca e o Palácio do Planalto vivem momentos de tensões diplomáticas desde o ano passado, quando Trump anunciou as primeiras tarifas ao Brasil, autorizando novas tarifas a produtos brasileiros este mês.
Já na quarta-feira, os EUA decidiram estender por mais um ano o estado de emergência contra o Brasil, classificando o país como uma ameaça “incomum e extraordinária”. O estado de emergência anunciado não implica em sanções económicas ou aumento de tarifas ao Brasil.
Na justificação da medida, os EUA acusaram o Supremo Tribunal brasileiro de censurar a liberdade de expressão, e membros do Governo do Brasil de perseguir politicamente o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, incluindo familiares e seguidores.
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