Internacional

Zimbabué inicia exportação de lítio para o Porto de Maputo por via ferroviária

Numa jogada estratégica que promete dinamizar o comércio transfronteiriço na África Austral, o Zimbabué deu, esta terça-feira (21), o pontapé de saída para o escoamento de lítio em massa rumo ao mercado internacional através do Porto de Maputo.

O corredor ferroviário inaugurou as suas operações com o despacho bem-sucedido de uma composição inicial contendo 1.000 toneladas de concentrado do mineral crítico, extraído na mina de Gwanda, no sul do país vizinho.

A nova rota logística resulta de uma parceria entre a estatal National Railways of Zimbabwe (NRZ), a operadora privada Beitbridge Bulawayo Railway (BBR) e a empresa de logística Silvergill. O percurso estende-se por cerca de mil quilómetros: arranca em Gwanda, atravessa a fronteira em Chicualacuala e percorre 522 quilómetros ao longo da Linha do Limpopo, em território moçambicano, até alcançar o Porto de Maputo.

A transição do transporte rodoviário — marcado por longas filas nos postos fronteiriços e elevados custos de combustível — para a via férrea surge num momento em que a indústria de lítio no Zimbabué regista um crescimento sem precedentes. Sustentado por investimentos chineses superiores a dois mil milhões de dólares desde 2021 e por novas políticas de valorização local dos minérios, o país vizinho gerou mais de 2,5 mil milhões de dólares em exportações minerais no primeiro semestre de 2026.

A National Railways of Zimbabwe (NRZ) destacou em comunicado que a iniciativa reforça o papel estratégico da ferrovia no apoio ao sector mineiro e no alívio da pressão sobre as estradas regionais, reduzindo custos de transporte e tempos de trânsito. Se a frequência das composições se mantiver constante, a rota da Linha do Limpopo consolidará Moçambique como a principal porta de saída para os minerais críticos da África Austral.

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