Gestão da LAM gasta mais de 3 milhões de dólares mensais em aluguer de aviões com frota própria paralisada

O Gabinete de Auditoria Interna (GAI) das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) revelou um cenário de forte asfixia financeira na companhia de bandeira. De acordo com um relatório interno divulgado pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), a Comissão de Gestão da operadora gasta mensalmente USD 3.142.808,62 com o aluguer de aeronaves estrangeiras.
O contraponto crítico reside no facto de quatro dos cinco aviões recentemente adquiridos pela própria LAM estarem imobilizados em terra devido a graves problemas mecânicos e danos nos motores.
A auditoria detalha que este pesado encargo financeiro está dividido em duas frentes principais de despesa. Por um lado, o aluguer directo consome USD 2.808.423,08, que são canalizados para os contratos com as companhias europeias Fly Air 41 Airways, Wind Rose e CemAir. Por outro lado, os encargos logísticos somam USD 334.384,62 mensais, correspondendo a custos fixos não planeados com alojamento, logística e per diems para 63 profissionais estrangeiros, entre tripulações e técnicos, que acompanham os aparelhos alugados. Conforme os documentos, a Direcção de Aprovisionamento e Compras (DAC) admitiu ter recebido ordens superiores directas do Conselho de Administração para avançar com estas operadoras, independentemente dos preços onerosos praticados no mercado.
A revelação deste relatório precipitou uma crise institucional interna imediata. O Conselho de Administração, liderado por figuras como Tomás Matola (PCA da HCB), Agostinho Langa (PCA dos CFM) e Janfar Abdulai (PCA da EMOSE), ordenou o afastamento dos responsáveis pela fiscalização. Gisela Angela Gomes Mabota foi destituída do cargo de Directora de Auditoria Interna logo após a conclusão do documento. Da mesma forma, o Comandante Jorge Zandamela foi afastado das funções de vogal para a área técnico-operacional, por ter sido quem mandatou a elaboração da referida auditoria.
Perante a gravidade dos factos, o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) abriu uma linha de investigação formal e já obteve o relatório completo. O órgão judicial notificou os visados e emitiu um ofício exigindo a entrega imediata dos passaportes de Agostinho Langa, Tomás Matola, Lucas Francisco, Dane Kondic e Agira Nhabanga. Adicionalmente, o GCCC solicitou os contratos de trabalho, os dados sobre os salários auferidos e a identificação das contas bancárias de toda a liderança envolvida na gestão da companhia aérea.
Imagem: DR



