Sociedade

Adriano Nuvunga defende que juros altos praticados em Moçambique violam direitos humanos

O Director Executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, defendeu publicamente que as altas taxas de juro praticadas pelas instituições bancárias em Moçambique constituem uma clara violação dos direitos humanos, apelando a um debate urgente sobre o impacto social do actual sistema financeiro.

Adriano Nuvunga falava esta quarta-feira, 1 de julho, na Cidade de Maputo, durante as celebrações do 45.º aniversário da adoção da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. No seu discurso, o activista contestou o argumento de que as instituições bancárias operam de forma isolada por serem privadas, sublinhando que as mesmas têm uma responsabilidade social para com a comunidade onde se inserem.

“O banco vai dizer: ‘Não, eu sou privado’. Tudo bem, é privado, mas é privado numa sociedade”, vincou Nuvunga, questionando a sustentabilidade do crédito ao consumo no país.

Para ilustrar o cenário de sufoco financeiro que afeta muitos cidadãos, o académico recorreu ao exemplo prático de um jovem que recorre a um empréstimo bancário para equipar a sua casa: “Não pode, porque o jovem pediu dinheiro para comprar geleira, agora tem que ficar anos a pagar uma coisa que é uma geleira? Pagar o dinheiro de, no fim… dinheiro para três geleiras?”.

O líder do CDD concluiu a sua intervenção visivelmente agastado com as actuais assimetrias económicas, reiterando que “alguma coisa não está bem” no modelo económico vigente, que acaba por penalizar severamente a juventude e as famílias moçambicanas que procuram o desenvolvimento pessoal e o acesso a bens de primeira necessidade.

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