Vaga de calor na Europa provoca 40 mortes por afogamento em França

A vaga de calor intensificou-se esta terça-feira (23), na Europa, provocando mortes e colocando os organismos sob grande pressão, depois de vários dias de calor intenso. Trata-se da segunda vaga de calor na Europa Ocidental em menos de um mês.
As alterações climáticas provocadas pela actividade humana tornam os fenómenos meteorológicos extremos mais intensos, nomeadamente episódios de calor extremo.
Em Londres, que acolhe esta semana vários eventos ligados ao clima, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apontou os culpados: “Não podemos apostar mais num sistema assente nos combustíveis fósseis que alimenta simultaneamente a crise climática e a crise energética”. Palavra do líder da ONU na London Climate Action Week.
Alerta vermelho em quinze cidades em Itália, alertas de calor quase por todo o lado em Espanha, a noite mais quente de sempre registada em França, afogamentos: o calor extremo está a ganhar terreno e a perturbar o trabalho, os transportes e os estabelecimentos de ensino.
Segundo uma publicação da RFI, em França uma central nuclear foi encerrada devido à vaga de calor. Com 54 distritos em alerta vermelho, o nível mais elevado, e 35 em alerta laranja, mais de 90% da população francesa está exposta a calor extremo e excepcional.
A noite de segunda para terça-feira, com 21,6°C, foi a mais quente alguma vez registada em França desde o início das medições em 1947, segundo a Météo-France.
Para se refrescar, alguns arriscam banhos em locais não vigiadas, incluindo canais. A vaga de calor provocou “40 mortos” por afogamento desde 18 de Junho em França, “essencialmente jovens”, segundo o Governo.
A nível laboral o país está menos produtivo, “está a abrandar (…) Inevitavelmente, trata-se de uma desorganização do trabalho e, em muitos casos, menos trabalho”, comentou o presidente do MEDEF, organização patronal francesa, Patrick Martin.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou um reforço da mobilização do sistema de saúde face à vaga de calor que assola o país, foi activado o nível dois (de quatro) do plano Orsan.
“Esta decisão permite reforçar as capacidades de regulação médica, mobilizar os profissionais necessários ao funcionamento dos hospitais, garantir a plena coordenação entre a medicina familiar, os hospitais, as clínicas e os lares de idosos, e adaptar as actividades se a situação o exigir”, detalhou o primeiro-ministro na rede social X.
O plano Orsan permite “aumentar a capacidade do sistema de saúde face a uma vaga de calor de grande intensidade”. O nível 2 inclui, por exemplo, possíveis desprogramações de operações “se necessário”.
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