Cabo Delgado: Insurgentes protagonizaram 154 ataques nos últimos cinco meses

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ) revelou, na última terça-feira (27), em Maputo, que os grupos terroristas que operam no norte do País protagonizaram cerca de 154 ataques nos últimos cinco meses, concentrando as suas acções em estratégias de rapto e posterior cobranças de valores monetários em forma de resgate.
Os dados foram apresentados pelo brigadeiro-general, Sérgio Estrela, comandante da EUMAM-MOZ, durante uma palestra subordinada ao tema “Contributo da Missão de Assistência Militar da União Europeia para a Defesa e Segurança de Moçambique”, organizada pelo Centro de Análise Estratégica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CAE/CPLP).
Segundo o responsável militar europeu e citado pelo Jornal Savana, a situação de segurança no norte de Moçambique continua preocupante, sobretudo devido à capacidade de movimentação dos grupos terroristas, que têm conseguido realizar incursões em diferentes pontos de Cabo Delgado e estender a sua actividade para outras regiões.
“Infelizmente, nestes últimos cinco meses, temos cerca de 154 ataques insurgentes”, revelou Sérgio Estrela, acrescentando que a violência continua concentrada em Cabo Delgado, embora já tenham sido registadas incursões para o Sul e Oeste, incluindo um ataque isolado na província do Niassa.
De acordo com os dados apresentados, a actividade insurgente afectou 16 distritos, dos quais 15 em Cabo Delgado e um no Niassa.
O comandante da missão europeia explicou que os ataques estão distribuídos por aproximadamente 120 localizações, situação que, na sua avaliação, demonstra que os grupos armados continuam a dispor de alguma liberdade de circulação.
Uma das principais constatações apresentadas pela EUMAM-MOZ prende-se com a mudança das tácticas utilizadas pelos insurgentes.
Segundo Sérgio Estrela, os grupos terroristas têm privilegiado ataques dispersos, procurando evitar concentrações que possam facilitar a resposta das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). “Estamos a falar de cerca de 120 localizações. O que é que isto implica? Implica que eles têm alguma liberdade de movimento e uma preferência por evitar concentrações, ou seja, evitam o contacto directo com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique”, explicou.
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