Professores em Nampula sobrevivem com mil meticais por mês devido a dívidas

O endividamento bancário excessivo está a empurrar centenas de docentes para alternativas de subsistência como o táxi-moto, levantando preocupações sobre a qualidade do ensino e a gestão do tempo escolar na província de Nampula.
Mais de 6.000 professores na província de Nampula estão a enfrentar uma situação de extrema vulnerabilidade financeira, recebendo um salário líquido mensal de apenas 1.000 meticais devido a fortes descontos associados a dívidas bancárias. A denúncia foi avançada na última terça-feira por André Jano, secretário da Organização Nacional dos Professores (ONP) em Nampula, durante as cerimónias de lançamento da Semana do Professor.
De acordo com o responsável sindical falando à BNBC, a pressão financeira tem obrigado vários docentes a acumularem a profissão de ensino com a condução de táxis-moto, numa tentativa desesperada de encontrar fontes alternativas de rendimento para garantir o sustento diário das suas famílias.
Apesar de a Lei do Trabalho estabelecer que os descontos sobre os salários não devem exceder o limite de um terço do vencimento, a realidade em campo tem-se revelado bem mais drástica. Um ensaio estatístico recente levado a cabo pela ONP em 17 distritos da província — abrangendo cerca de 183 escolas de um universo superior a 5.800 estabelecimentos de ensino e 18.000 professores — concluiu que o endividamento afecta severamente entre 5.000 e 6.000 profissionais.
A ONP alerta que, embora a busca por biscates e a actividade de táxi-moto seja um mal necessário para a sobrevivência económica, a prática acarreta sérios riscos para o sector educativo. Os professores dividem o seu tempo e foco entre as salas de aula e a estrada, o que compromete significativamente a planificação pedagógica, a preparação rigorosa das aulas e a correcção atempada de avaliações e provas.
Face a este cenário alarmante, o sindicato apela a uma intervenção urgente e a uma maior sensibilidade por parte das instituições bancárias e de crédito que operam na praça, no sentido de renegociarem ou moderarem as condições de endividamento impostas aos profissionais da educação.
À margem dos problemas financeiros, a abertura da Semana do Professor incluiu também uma componente de reflexão institucional. Vânia Ibrahim, magistrada do Ministério Público afecta ao Gabinete de Combate à Corrupção em Nampula, destacou a realização de palestras direccionadas à integridade. O foco esteve na promoção de boas práticas na relação entre professores e alunos, bem como em questões críticas de gestão e transparência no sector educativo.
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