Sociedade

Crise de combustíveis em Moçambique: Parlamento defende maior fiscalização face a constrangimentos e esquemas nas bombas

A crise no abastecimento de combustíveis em Moçambique continua a gerar forte preocupação política e social. Apesar das promessas e da recente criação da Empresa Nacional de Aquisição de Produtos Petrolíferos (ENAPROF) em setembro, a realidade nos postos de venda continua marcada por constrangimentos e longas filas, atribuídos pelo Executivo a problemas técnico-operacionais entre os distribuidores.

Em declarações à MBC TV, Manuel Ramesane, porta-voz da Comissão Permanente da Assembleia da República (AR), manifestou o desconforto generalizado dos cidadãos face à escassez de combustíveis — afectando tanto gasolina como gasóleo e gás —, o que impacta directamente a mobilidade urbana e as condições de vida da população.

Questionado sobre uma possível intervenção legislativa do parlamento para mitigar o problema, Ramesane sublinhou que a busca de soluções e a gestão operacional são da inteira competência do Governo, alertando que a Assembleia não deve interferir nas atribuições do Executivo.

Por outro lado, o deputado apontou o dedo a irregularidades registadas no terreno, referindo que em muitos postos de abastecimento (frequentemente chamados de “bombas”) ocorrem esquemas de favorecimento e subornos a operadores para ultrapassar as filas de espera. Perante este cenário, a Comissão Permanente defende uma fiscalização mais apertada por parte do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREM) para moralizar o sector, salvaguardar o regular funcionamento do mercado e travar práticas especulativas que agravam a crise energética despoletada e intensificada pelo contexto geopolítico internacional

Imagem: DR

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