Sociedade

Empresário moçambicano Norolamin Gulam do grupo Maiaia condenado a 11 anos de prisão nos EUA

O empresário Nurolamin Gulam, conhecido em Moçambique como o principal rosto do falido Grupo Maiaia, um importante conglomerado industrial e comercial com sede em Nacala-Porto, Nampula, foi condenado a 135 meses (11 anos e três meses) de prisão nos Estados Unidos, pelo juiz federal Amos L. Mazzant, no Distrito Leste do Texas.

Além da pena de prisão, foi ordenada a aplicação de uma sanção financeira no valor de 7,5 milhões de dólares.

De acordo com uma publicação do Jornal Savana, as investigações das autoridades norte-americanas demonstraram que, desde pelo menos 2021, Norolamin Gulam liderava uma rede criminosa global com ramificações na Europa, África, Sudeste Asiático, Estados Unidos, América Central e do Sul, utilizando múltiplas empresas e investimentos imobiliários para branquear milhões de dólares oriundos do tráfico de droga.

Segundo uma nota da Procuradoria dos Estados Unidos, Distrito Leste do Texas, citada pelo Savana, indica que Norolamin Gulam, de 53 anos, cidadão de Moçambique residente em Portugal, declarou-se culpado da acusação de conspiração para cometer branqueamento de capitais. O processo de investigação foi conduzido pelo Procurador-Adjunto dos EUA para o Distrito Leste do Texas, Matthew T. Johnson.

Acredita-se que Gulam tenha sido responsável pela lavagem de pelo menos 500 milhões de dólares em moeda norte-americana.

“Este caso faz parte da iniciativa da Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), estabelecida pela Ordem Executiva 14159, “Proteger o Povo Americano Contra a Invasão”, lê-se no comunicado.

A HSTF é uma parceria que envolve todo o governo, dedicada a eliminar cartéis criminosos, gangues estrangeiros, organizações criminosas transnacionais e redes de contrabando e tráfico humano que operam nos Estados Unidos e no estrangeiro.

“ Através de uma colaboração interinstitucional, a HSTF dirige todo o poder das autoridades policiais dos Estados Unidos para identificar, investigar e processar toda a gama de crimes cometidos por estas organizações, que há muito alimentam a violência e a instabilidade dentro das nossas fronteiras. Ao realizar este trabalho, a HSTF dá especial ênfase à investigação e ao processamento de indivíduos envolvidos no tráfico de crianças ou noutros crimes que afectam crianças”, assinala a nota.

Nurolamin Gulam foi detido nos Estados Unidos, em Fevereiro de 2024, numa operação montada pelo FBI – Polícia Federal Americana, após terem sido atraídos para irem a Nova Iorque para investimentos imobiliários. Eles chegaram a Nova Iorque idos de Portugal.

A Polícia Judiciária – PJ de Portugal terá efectuado buscas na residência e escritório de Nurolamin Gulam, na capital portuguesa, a pedido das autoridades policiais norte-americanas. Na acção, foram confiscados documentos e valores monetários.

O FBI terá montado a operação após obter informações de que Nurolamin Gulam e a família estariam ligados a actividades criminosas em Portugal, com destaque para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Os agentes do FBI ter-se-ão aproximado de Nurolamin Gulam, camuflados de investidores com interesses em comprar imóveis em Portugal. A compra seria feita através de transferências bancárias ilegais. A família Gulam detém um invejável património imobiliário em Portugal, construído em circunstâncias não muito bem claras.

Nurolamin Gulam manifestou disponibilidade em montar o esquema de transferências. Terá recebido vários pagamentos através do referido esquema e efectuou transferências para os agentes do FBI, disfarçados em empresários. A ideia do FBI e PJ era entender como funciona o referido esquema de transferências fraudulentas. Como as transferências internacionais referenciadas em dólares passam formalmente pelo território americano, as autoridades deste país monitoram todas as transacções, nomeadamente as de carácter mais suspeito, como aconteceu no caso da Privinvest e as “dívidas ocultas”.

Em 2012 e 2013, Nurolamin Gulam e Hussen Gulam Mahomed abandonaram Moçambique, deixando para trás uma dívida avaliada em 50 milhões de dólares, que o Grupo devia à banca moçambicana.

 

(Foto DR)

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