Sociedade

O paradoxal crescimento do crédito: por que as empresas privadas moçambicanas continuam sem financiamento?

A economia moçambicana registou um crescimento de 2,9% no crédito global até ao final do primeiro semestre de 2026, atingindo 299,8 mil milhões de meticais, conforme revelam os dados publicados na revista Banca e Seguros.

Contudo, por trás deste indicador positivo esconde-se um profundo paradoxo financeiro: o crédito direccionado às empresas privadas contrariou a tendência geral e recuou 0,3%, fixando-se em 101,5 mil milhões de meticais.

De acordo com o economista Clésio Fóia, esta divergência acontece porque o sector bancário adopta uma postura cada vez mais selectiva e avessa ao risco, privilegiando operações de menor risco como o crédito ao consumo para trabalhadores assalariados. Nas Pequenas e Médias Empresas (PME), o problema agrava-se devido à escassez de garantias reais, à fraca capitalização e à falta de informação financeira auditada e estruturada.

Adicionalmente, o prémio de risco cobrado agravou os custos de financiamento. Embora a taxa MIMO se situe em 9,25% e a Prime Rate em 15,50%, as empresas podem enfrentar taxas significativamente superiores dependendo da avaliação de risco estipulada pela banca. Sectores vitais como a agricultura, a indústria e o turismo continuam marcadamente subfinanciados neste ecossistema restritivo.

Para superar este cenário, os especialistas sublinham que a responsabilidade é partilhada. As empresas precisam de melhorar urgentemente a sua transparência através de contabilidade organizada e planos de negócio sólidos, enquanto se apela ao reforço de parcerias e à integração das PME nas cadeias de fornecimento das grandes empresas para dinamizar o acesso ao mercado e impulsionar o desenvolvimento económico nacional.

Imagem: DR

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