Embora a dívida pública externa diminua, dívidas bilionárias da ENH ficam de fora do relatório do Governo moçambicano

Análise aos dados do primeiro trimestre de 2026 revela que passivos ocultos da empresa estatal de hidrocarbonetos e os compromissos com megaprojectos de gás em Cabo Delgado continuam ausentes das contas oficiais do Ministério das Finanças.
O Governo de Moçambique, liderado por Daniel Chapo, anunciou que a Dívida Pública Externa do país registou uma redução para 8,91 biliões de dólares norte-americanos durante o primeiro trimestre de 2026. O valor representa uma diminuição de 7,5% em comparação com o último trimestre do ano passado, um dado que, à primeira vista, sugere uma trajetória de consolidação das contas públicas.
De acordo com o Boletim Trimestral sobre a Dívida Pública citado pelo jornal Verdades, publicado pelo Ministério das Finanças, a tendência de descida é justificada pelo cumprimento rigoroso do serviço da dívida e por um ritmo de desembolsos mais contido por parte de alguns credores internacionais.
Contudo, este cenário de aparente alívio financeiro é questionado pela ausência de responsabilidades avultadas nas estatísticas oficiais. Conforme apontado pelo jornal Verdades, o stock da dívida externa divulgado pelo Executivo exclui os biliões de dólares em compromissos que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) detém.
Trata-se de montantes avultados que a petrolífera estatal contraiu junto das multinacionais que operam em Cabo Delgado através do modelo carry. Com o avanço do projecto Coral Norte, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, a hipoteca da ENH junto aos seus parceiros ascende agora a cerca de 6 biliões de dólares, levantando sérios alertas por parte do Centro de Integridade Pública (CIP) quanto à sustentabilidade e ao retorno real para os cofres do Estado a longo prazo.
Imagem: DR
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