Economia

CTA defende competitividade dos corredores logísticos para o reforço do comércio regional

O vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique – CTA, Onório Boane, defende maior eficiência operacional, integração transfronteiriça e investimento em infra-estruturas e serviços logísticos com vista a tornar os corredores logísticos nacionais competitivos a nível da região austral.

Falando na abertura da primeira conferência regional de transporte e logística (TRANS-LOG MOZ), Onório Boane explicou que Moçambique reúne condições para consolidar a sua posição como uma das principais portas de entrada comercial da África austral, mas esse objectivo depende da melhoria da eficiência operacional, da integração regional e da redução dos custos associados ao comércio.

“A competitividade de um corredor não se mede apenas pela capacidade do seu porto, mas pelo custo, tempo e previsibilidade com que a mercadoria chega ao destino final. Uma ferrovia com capacidade disponível não resolve o problema se faltar equipamento do outro lado da fronteira”, afirmou o responsável, referindo que os estrangulamentos nas fronteiras, a demora nos procedimentos aduaneiros e as limitações na articulação reduzem a competitividade dos corredores logísticos de Moçambique.

O vice-presidente da CTA destacou que a eficiência dos portos depende igualmente da redução dos tempos de permanência das mercadorias nos terminais e da agilização dos procedimentos aduaneiros. “A capacidade dos portos nacionais e a localização geográfica estratégica do País não são suficientes para consolidar Moçambique como porta de entrada comercial da África Austral. É necessário reduzir tempos de trânsito das mercadorias, aumentar a capacidade ferroviária e eliminar os pontos de congestionamento nas fronteiras.”

Na mesma ocasião, Boane referiu que a diferença entre a capacidade actual das infra-estruturas logísticas e o seu potencial de utilização representa oportunidades de investimento, “mas exige intervenções coordenadas nos corredores de Maputo, Beira e Nacala, sobretudo na ligação aos mercados do hinterland”.

Para a CTA, há necessidade de haver uma integração efectiva dos três principais corredores logísticos nacionais, através do reforço das ligações ferroviárias, rodoviárias e fronteiriças, bem como o desenvolvimento de portos secos, terminais interiores, infra-estruturas de armazenagem, cadeias de frio e plataformas de distribuição.

No seu discurso, Onório Boane defendeu igualmente a simplificação dos procedimentos fronteiriços, a digitalização dos serviços através de uma Janela Única Logística e o aproveitamento da cabotagem como alternativa complementar ao transporte rodoviário.

O empresariado moçambicano defendeu ainda o aproveitamento da cabotagem marítima como alternativa complementar ao transporte rodoviário e uma maior integração das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento, manutenção, engenharia, tecnologia e prestação de serviços.

“Temos de converter corredores e portos em verdadeiros motores de industrialização das nossas nações. Já não é admissível que estas infra-estruturas sirvam apenas de passagem de matérias-primas e entrada de bens manufacturados do exterior”, acrescentou.

 

(Foto DR)

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