MozParks defende industrialização local para valorizar a riqueza mineral de Moçambique

A riqueza mineral de Moçambique representa uma oportunidade para construir indústrias nacionais mais fortes, mas para captar uma maior parte desse valor é necessário mais do que a simples extração. É necessária infra-estrutura industrial, investimento na produção local e ligações mais fortes entre os grandes projectos e as empresas moçambicanas.
A posição foi defendida pelo CEO da MozParks, Onório Manuel, durante o CAVAME-d 2026 em Nacala, onde participou num painel de discussão sobre incentivos ao investimento e a industrialização dos recursos minerais de Moçambique. “No século XXI, não faz sentido continuarmos a importar peças industriais que podemos produzir localmente”, afirmou Manuel.
Na ocasião, Onório Manuel destacou a necessidade de ir além do fornecimento de bens e serviços básicos ao sector extractivo e desenvolver a própria capacidade de fabrico e transformação de Moçambique. “Isto requer investimento em infra-estruturas, tecnologia e competências, permitindo que as empresas moçambicanas produzam mais daquilo que os grandes projectos industriais actualmente adquirem no estrangeiro.”
Segundo Onório Manuel, esta abordagem reflecte-se no plano de desenvolvimento da MozParks, que prevê a criação de 20 parques industriais em todo o Moçambique, incluindo em regiões com investimentos significativos nos sectores mineiro e energético. O Parque Industrial de Topuito, na província de Nampula, situado perto das operações mineiras da Kenmare em Moma, é um exemplo de como os parques industriais podem apoiar o estabelecimento de fornecedores, fabricantes e prestadores de serviços locais em torno de grandes projectos. Iniciativas semelhantes em Cabo Delgado visam incentivar a actividade industrial ligada aos recursos naturais da província e aos investimentos em grande escala.
Através desta expansão, a MozParks pretende criar as infra estruturas e as condições para que mais produtos sejam fabricados localmente, para que mais empresas moçambicanas participem nas cadeias de abastecimento industriais e para que uma maior parte do valor gerado pelos recursos naturais permaneça na economia nacional.
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