Caso PODEMOS: Mendonça diz que o partido precisava de uma reestruturação profunda e o tribunal acabou por ser o único caminho possível

A crise interna no partido político PODEMOS atingiu um ponto de viragem com a decisão do Tribunal Judicial de KaMavota, na Cidade de Maputo, que deu provimento à providência cautelar interposta pelo membro e co-fundador Hélder Mendonça. A medida jurídica resultou na suspensão e proibição de Albino Forquilha e dos restantes órgãos centrais de dirigirem o partido, devido à caducidade dos mandatos estatutários.
Em entrevista concedida ao programa Especial Informação da MBC, Hélder Mendonça explicou que a acção judicial surge como um “momento necessário de reestruturação” perante o esgotamento das vias de diálogo interno. Segundo Mendonça, a liderança de Albino Forquilha encontrava-se em funções sem a devida cobertura estatutária, apontando que o mandato fixado na ata constituinte e nos estatutos (de cinco anos) já havia expirado e que a prorrogação interna por mais quatro anos (apontando um congresso apenas para 2028) carece de validade legal, uma vez que apenas um congresso teria poderes de recondução.
Mendonça criticou duramente a gestão interna do partido, sublinhando que a falta de transparência, a negligência de aspectos administrativos e a forma como as decisões são tomadas — muitas vezes sob forte influência da liderança e sem a observância das regras democráticas internas — comprometem a reputação e a credibilidade da organização política. Exemplificou com episódios de preenchimento de vagas e a retirada de confiança política a figuras institucionais, alegando que os membros correm o risco de actuar de forma dependente de orientações pessoais e não de acordo com os princípios e estatutos do partido.
Por seu lado, a direcção do PODEMOS reagiu à decisão judicial através de um comunicado assinado por Albino Forquilha, defendendo a legalidade da continuidade da sua liderança. O partido classificou o cenário de instabilidade como o resultado de “profundas tentativas de desestabilização psicológica e organizacional”, desvalorizando as acusações levantadas e apontando o dedo a contestações que, na óptica da liderança afectada, visam prejudicar o crescimento e a projecção política da formação partidária.
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