“Brasil não é quintal dos EUA”: Estudantes protestam contra Flávio Bolsonaro

Milhares de estudantes do ensino universitário e secundário encheram, na quarta-feira (07), duas das principais praças do centro do Rio de Janeiro, num protesto pró-Lula da Silva e contra Flávio Bolsonaro, a pouco mais de duas semanas da segunda volta das eleições presidenciais no Brasil.
Convocada pela União Nacional de Estudantes (UNE) e divulgada nas redes sociais, a acção teve início na Candelária e estendeu-se à Cinelândia, praça que acolhe o edifício da Câmara Municipal e que costuma ser palco de manifestações da esquerda.
Segundo uma publicação da Euronews, os participantes reivindicaram mais recursos para a educação e a gratuitidade do ensino, defendendo, em particular, a manutenção do programa Pé-de-Meia, criado pelo Governo de Lula e que se baseia em pagamentos mensais aos estudantes para incentivar a conclusão do secundário nas escolas públicas.
A multidão composta maioritariamente por jovens, mas a que se juntaram também idosos, recordou os cortes orçamentais feitos por Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas universidades federais, nas bolsas de investigação e no programa Farmácia Popular.
Entre as propostas de Flávio Bolsonaro estão reduções significativas da despesa pública, com o senador do Partido Liberal (PL) a elogiar as reformas económicas levadas a cabo pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
O Brasil está a braços com uma dívida pública crescente, agravada por taxas de juros elevadas.
Nos cartazes foram feitas referências à necessidade de preservar a soberania e a democracia do Brasil. “Ditadura nunca mais”, lia-se num deles.
Os estudantes demonstraram preocupação pela ascensão da extrema-direita e pela proximidade da família Bolsonaro à administração de Donald Trump. “O Brasil não é quintal dos EUA” e “Não voto em quem vende o Brasil” foram outras das mensagens exibidas.
A esquerda brasileira teme que Flávio Bolsonaro promova um alinhamento completo face a Washington dada a afinidade ideológica com Trump.
No ano passado, o Presidente norte-americano impôs uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros e aplicou sanções a um ministro do Supremo Tribunal Federal. Uma decisão justificada com o julgamento de Jair Bolsonaro, considerado por Trump uma “caça às bruxas”.
Vários manifestantes criticaram ainda a gestão da pandemia feita por Jair Bolsonaro, acusado de políticas negacionistas: estima-se que 700 mil brasileiros tenham morrido por Covid-19.
Estão previstas mais manifestações para os próximos dias, a caminho da segunda volta, marcada para 25 de Outubro, entre Lula da Silva, o actual Presidente que procura um quarto mandato não consecutivo, e Flávio Bolsonaro, que venceu no primeiro turno, embora com uma diferença inferior a 2%, e parte em vantagem na corrida ao Palácio do Planalto.
Além de atos de rua, serão realizados encontros para debater temas como a educação pública, ciência, direitos e a participação estudantil na segunda volta das eleições.
A organização não quer ficar pelo Rio de Janeiro e está a planear mobilizações em Teresina, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Maceió, Recife e Vitória.
(Foto DR)
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