Economia

Receitas da Kenmare caem 11% para 149,1 milhões de dólares

A mineradora irlandesa Kenmare Resources, que tem vindo a explorar as areias minerais pesadas nos distritos de Moma e Larde, na província de Nampula, no norte de Moçambique, anunciou que as receitas, nos últimos meses, registaram uma queda de 11%, o que corresponde a 149,1 milhões de dólares.

As areias minerais pesadas são utilizadas na produção de minérios de titânio, como a ilmenita, que constituem as matérias-primas utilizadas em tintas, papel, plásticos, azulejos cerâmicos e outros produtos.

Em comunicado citado pela AIM, a empresa explica que registou 167,7 milhões de dólares no período homólogo de 2025. De acordo com o documento, verificou-se um prejuízo ajustado após impostos de 34,1 milhões, em comparação com um lucro ajustado após impostos de 6,1 milhões no período homólogo do ano passado. Os custos operacionais totais aumentaram 16%, passando de 150,5 milhões para 174,7 milhões de dólares.

O director-geral da Kenmare, Tom Hickey, citado no documento, afirmou que, embora o preço médio obtido pelos seus produtos tenha diminuído no primeiro semestre de 2026, “a procura pelos produtos da Kenmare mantém-se estável, com uma carteira de encomendas sólida para o terceiro trimestre do ano”.

“As condições de mercado desfavoráveis para os nossos produtos, aliadas ao arranque da Unidade de Concentração a Molhado (WCP) A, que se revelou mais lento do que o esperado, continuaram a afetar o desempenho financeiro da Kenmare no primeiro semestre de 2026. No entanto, com o fortalecimento do mercado do zircónio e as despesas de capital para o projeto de modernização da WCP A agora substancialmente concluídas, as perspectivas melhoraram ligeiramente”, afirmou Hickey.

Hickey referiu ainda que, à medida que a empresa avança no terceiro trimestre, continua no bom caminho para atingir a sua previsão de expedições para 2026, que constitui o seu principal indicador para o ano. “Esperamos atingir as nossas previsões anuais de custos operacionais e de capital, embora a produção de ilmenita mais fraca do que o esperado no primeiro semestre nos tenha levado a moderar a nossa previsão para 2026 para aproximadamente 800 000 toneladas, em vez das mais de 800 000 toneladas previstas anteriormente”, afirmou.

“Felizmente, a produção melhorou em Julho e no início de agosto, devido ao forte desempenho da WCP B e ao progresso constante na WCP A”, acrescentou.

Segundo o director-geral, a empresa continuou a manter um diálogo construtivo com o Governo moçambicano relativamente ao Acordo de Implementação de Moma durante o primeiro semestre do ano, tendo-se registado progressos significativos nas últimas semanas em questões fundamentais.

“A produção de Concentrado de Minerais Pesados (HMC) da Kenmare nos primeiros seis meses do ano diminuiu 34%, para 442 200 toneladas, principalmente devido a uma diminuição de 26 por cento nos teores do minério, tal como previsto.”

“Isto reflectiu, em grande parte, o facto de a Unidade de Concentração a Úmido (WCP) A estar a aproximar-se do fim do seu ciclo de exploração na mina de Namalope. A produção total de produtos acabados diminuiu 14%, para 430 100 toneladas, devido ao menor volume de HMC processado, resultante da diminuição da produção de HMC”, lê-se na nota.

Entretanto, os embarques totais aumentaram 14%, para 555 600 toneladas, devido à redução dos stocks de produtos acabados e ao desempenho consistente no transbordo.

 

(Foto DR)

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